may 2020

Noites contra o COVID-19 | Transformação digital na educação médica

Speciality

Public health medicine

O COVID-19 evidenciou que as Escolas Médicas não estão preparadas para a transformação digital. Neste webinar, debatemos as competências necessárias para esta mudança e os principais entraves à sua implementação. A educação médica pré e pós-graduada resiste à adoção em larga escala das ferramentas digitais. O uso formal de aulas online ou webinars ainda é raro, persistem as aulas de exposição nos moldes tradicionais e os alunos não aproveitam a multiplicidade de metodologias permitidas pelas ferramentas digitais. A transformação digital na educação médica tem sido um processo lento – “esperava que em 2005 tivéssemos atingido o ponto em que estamos hoje”, afirmou um dos participantes neste webinar – e, por vezes, desmotivador. Por um lado, a tecnologia evoluiu, existem ferramentas e recursos para ensino à distância que poderiam estar em pleno uso nas Escolas Médicas e hospitais. Por outro, existem momentos de ensino-aprendizagem nos quais o contacto presencial é a fonte de conhecimento. Que ferramentas e que conhecimentos são esses? Que competências são necessárias? Como se poderá dar a transformação digital na educação médica? 1. E-learning não é sinónimo de tele-learning No campo da educação médica, o conceito de e-learning tem sido confundido com tele-learning, ou seja, como uma metodologia de ensino à distância. Uma visão redutora, na opinião dos palestrantes, segundo os quais o desafio que se impõe é encontrar um equilíbrio entre os conteúdos e competências que podem ser digitalizados e aqueles que apresentam vantagens em ser lecionados num contexto de presença de professores e alunos. 2. Da exceção à regra: a integração digital só é real quando é obrigatória À semelhança do que aconteceu com outras áreas da digitalização da saúde, como por exemplo a prescrição, o sucesso da transformação digital das Escolas Médicas implica mudar os processos, ou seja, tornar regra aquilo que é atualmente a excepção. Adicionalmente, promover a integração e a interoperabilidade entre sistemas é mais vantajoso do que procurar um software para todas as necessidades. 3. Envolver os estudantes na transformação Os alunos querem tirar partido da tecnologia para a sua formação e sentem-se frustrados quando não há essa possibilidade. Na maioria dos casos mais bem preparados e abertos para as possibilidades de formação via ferramentas digitais, os estudantes podem mesmo ser os “líderes” desta transformação, dependendo da capacidade de cada faculdade criar uma rede de colaboração entre o corpo docente e os alunos. 4. Construir um modelo de formação misto com base em necessidades Num plano ideal, qualquer mecanismo de treino deve ser desencadeado por uma necessidade previamente identificada que é traduzida num objetivo a ser atingido pelo estudante. Depois identificar os objetivos e respetivas competências, o passo seguinte deste modelo passa por cruzar as metodologias existentes, desde as mais analógicas às mais digitais, e identificar as mais efetivas e apropriadas para responder a cada necessidade, tendo também em conta os recursos disponíveis em cada instituição. Neste webinar participaram David Riley, Head of European Relations da Fundación Iavante, Henrique Martins, médico e professor de Gestão e Liderança em Saúde na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade da Beira Interior (FCMUBI), Madalena Patrício, professora na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa ex -presidente da Association for Medical Education in Europe (AMEE), e Pedro Garcia, presidente da Sociedade Portuguesa de Simulação Aplicada às Ciências da Saúde (SPSim). “Noites Contra o COVID-19” é um ciclo de webinars promovido pelo projeto COVID19PTCiência que junta a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), a plataforma Evidentia Médica e a UpHill.