april 2020

Noites contra o COVID-19 | Indústria Farmacêutica e COVID-19

Speciality

Public health medicine

Os farmacêuticos também estão no centro da pandemia: neste webinar juntamos a indústria química portuguesa que passou a produzir gel desinfectante e a multinacional com três medicamentos candidatos ao tratamento COVID. Um mês e meio depois de ter sido anunciado o primeiro caso positivo de COVID-19 em Portugal e na iminência de ser renovado o estado de emergência, o país anseia pelo dia em que seja anunciada a descoberta de uma arma terapêutica eficaz contra a doença. A resposta vai chegar, segundo a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, mais rápido do que aconteceu em pandemias anteriores, mas apesar de toda a evolução do conhecimento e da ciência, antes de haver um tratamento ou vacina, vamos habituar-nos a «conviver» com o vírus. Sem vacinas, medicamentos ou imunidade de grupo, existem medidas não farmacológicas que terão, necessariamente, que marcar o retorno à normalidade, de forma a “comprar tempo” que permita chegar às opções enunciadas anteriormente e garantir que o número de casos de infeção em Portugal não excede a capacidade do sistema de saúde. O webinar das “Noites contra o COVID-19” dedicado à indústria farmacêutica juntou Ana Paula Martins, bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Peter Villax, chairman da Hovione, Roberto Abi Rached, diretor médico da Novartis Portugal, e Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, para uma conversa sobre o papel do setor em emergências de Saúde Pública como o atual. As respostas dividem-se essencialmente em dois pilares: por um lado a manutenção da dispensa de medicamentos à população, farmácias e hospitais, nomeadamente para garantir que pessoas com doenças graves continuam a receber o tratamento adequado; por outro lado, o combate direto ao COVID-19, através da reorganização da investigação científica e da priorização de ensaios clínicos para o desenvolvimento de fármacos e vacinas para a doença. Quando existirá um tratamento disponível, que tratamento e com base em que a evidência científica são alguma das preocupações da comunidade na fase atual, até porque, num contexto de conhecimento acelerado, tem existido alguma “tolerância” relativamente à evidência disponibilizada e, consequentemente, muita desinformação que coloca “dúvidas sobre a efetividade das soluções encontradas”. Quanto à capacidade da indústria face a uma nova vaga da doença, Peter Villax destaca a necessidade de reformar o sistema de desenvolvimento clínico e de investigação de novas moléculas “que faz com que o resultado final demore 10 anos a chegar às farmácias”. Já a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, considera que o contexto atual representa grandes desafios, mas também “uma enorme oportunidade para a Europa voltar a adquirir alguma soberania em áreas como a produção de medicamentos e dispositivos médicos para não ficar à mercê de outros continentes”. Recorde-se que, recentemente, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA) alertou para a importância das empresas de base industrial em Portugal continuarem a assegurar o fabrico de medicamentos e dispositivos médicos, essenciais para o país, tendo em conta o contexto epidemiológico no país. Adicionalmente, foi assinado um protocolo com a Ordem dos Médicos e com a Ordem dos Farmacêuticos para reunir contributos da indústria e apoiar a contenção da pandemia. A Hovione, que está na corrida para na corrida à produção e comercialização de uma vacina contra o novo coronavírus, anunciou, em meados de março, a decisão de usar parte da sua capacidade para produzir gel desinfetante e doá-lo a várias instituições e, desde então, já distribuiu cerca de 138 toneladas de produto. Por sua vez, a Novartis criou um fundo global de 20 milhões de dólares para apoiar as comunidades afetadas pela pandemia. “Noites Contra o COVID-19” é um ciclo de webinars promovido pelo projeto COVID19PTCiência que junta a plataforma Evidentia Médica, a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e a UpHill.