Exercício físico nas doenças cardiovasculares

Curated byDavid Rodrigues

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october 2020

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Cardiology

Effect of Aerobic and Resistance Exercise on Cardiac Adipose Tissues - Secondary Analyses From a Randomized Clinical Trial

Este artigo é uma análise secundária de um ensaio clínico aleatorizado, onde 50 doentes com obesidade visceral foram aleatorizados e submetidos durante 12 semanas a uma de intervenções: 1 - Treino de resistência (endurance) supervisionado com exercícios intervalados de alta intensidade (3 vezes por semana durante 45 minutos) ; 2 - Treino de força (resistance) (3 vezes por semana durante 45 minutos); 3 - Nenhum exercício (grupo controlo); com o objetivo de perceber qual o efeito do treino de resistência e/ou de força durante 12 semanas na massa de tecido adiposo epicárdio e pericárdio de indivíduos sedentários e com obesidade abdominal. Os doentes aleatorizados para o grupo controlo apresentavam um estado basal ligeiramente pior que o dos outros grupos, nomeadamente com perímetro abdominal mais elevado, maior peso de tecido adiposo a nível cardíaco e pior perfil cardiometabólico. Apenas os investigadores estavam cegos para a intervenção instituída. Apenas 39 dos 50 doentes aleatorizados completaram o estudo, obtendo-se um follow-up de apenas 78%. Os dados foram analisados por protocolo (ainda que seja referido que foi realizada uma análise por intenção de tratar, a confirmar a robustez da anterior). O treino de resistência apresentou uma redução da massa adiposa epicárdica de 32% (IC 95%, 10%-53%) comparado com o controlo, mas sem efeito na redução da massa adiposa pericárdica. O treino de força reduziu em média 24% (IC 95%, 1%-46%) da massa adiposa epicárdica e 31% (IC 95%, 16%-47%) da massa pericárdica, quando comparado com o controlo. De notar que embora estatisticamente significativos, os intervalos de confiança são pouco estreitos, provavelmente em contexto de uma amostra pequena em estudo. Em suma, este estudo evidencia que principalmente o treino de força, mas também o de resistência poderão assumir um papel importante enquanto factor protector cardiovascular, diminuindo a acumulação de tecido adiposo cardíaco. Contudo, este estudo deve ser replicado com uma amostra maior para que os resultados possam traduzir conclusões mais robustas.

Christensen R.H., et aljuly 2019

Cardiology

Optimal Exercise Programs for Patients With Peripheral Artery Disease - A Scientific Statement From the American Heart Association

Este artigo é uma Posição Científica da American Heart Association (AHA) que traduz a revisão da evidência atual, relativamente aos programas de exercício adequados a doentes com doença arterial periférica (DAP). O melhor tratamento da DAP sintomática deve focar-se na redução de eventos cardiovasculares e dos membros inferiores, além da melhoria sintomática e da Qualidade de Vida. Os programas de exercício para doentes com DAP devam ser individualizados em relação à duração, intensidade, frequência de exercício e relação esforço-repouso. As sessões de exercícios devem progredir até a meta de acumular 30 a 45 minutos de caminhada na passadeira por sessão, repetida 3 vezes por semana. O exercício deve ser realizado numa intensidade que provoque dor claudicante leve em 5 minutos e claudicação moderada a moderadamente grave em 10 minutos, seguida de repouso até que a dor claudicante desapareça (embora pareça igualmente haver benefício, mesmo que o exercício não provoque dor). Ainda que o exercício físico supervisionado em passadeira seja a intervenção baseada em exercício com mais e melhores resultados conhecidos, no desempenho e qualidade de vida dos doentes com DAP, esta pode ser uma intervenção onerosa e incomportável para o doente. Se esse for o caso, o exercício físico estruturado em casa pode ser uma alternativa razoável, melhorando preferencialmente a caminhada no solo, mais prática e semelhante ao habitual na caminhada na vida diária. Para melhorar os resultados, estes doentes devem ser incentivados a registar os seus objetivos e estabelecer um plano individualizado com acompanhamento clínico periódico. A investigação futura deve centrar-se na identificação de programas de exercícios ideais para estes doentes e delinear as vias biológicas pelas quais o exercício melhora o desempenho destes doentes. Dada a magnitude dos benefícios e relativa segurança do exercício para doentes com doença arterial periférica, devem ser movidos esforços no sentido de tornar o exercício acessível a todos estes doentes que têm capacidade para se exercitar.

Treat-Jacobson D., et al.january 2019