june 2020 • Nature

Understanding SARS-COV-2-related multisystem inflammatory syndrome in children

Ann & Robert H. Lurie

DOI: 10.1038/s41577-020-0367-5

Content curated by::Samuel Gomes

Key message

Como se compara a síndrome inflamatória multi-sistémica das crianças relacionada com o sars-cov-2 com a doença de Kawasaki? Não está provado que o SARS-CoV-2 seja a causa da MIS-C. A MIS-C é mais frequente na idade escolar e adolescentes SARS-CoV-2 positivos, sendo as de ascendência africana as de maior risco. A recuperação tende a ser completa. A DK é mais frequente em crianças com menos de 5 anos. A patofisiologia da MIS-C é desconhecida. Defini-la pela presença de choque, dor abdominal severa e disfunção do miocárdio deverá ser útil para estudos futuros.

Analysis

Population

Este artigo refere-se à população em idade pediátrica com síndrome inflamatória multi-sistémica das crianças relacionada com o SARS-CoV-2 (MIS-C) ou doença de Kawasaki (DK).

Method

Trata-se de uma revisão simples de literatura.

Results

Antes de mais, não está provado que o SARS-CoV-2 seja a causa da MIS-C. O facto de esta entidade ter sido descrita na Europa e EUA durante o surto de COVID-19 é, no entanto, muito sugestivo disso. A MIS-C é mais frequente em crianças em idade escolar mais velhas e adolescentes que tenham testado positivo para SARS-CoV-2 (quer por RT-PCR, quer por teste de anticorpos). As crianças de ascendência africana parecem ter um maior risco. Clinicamente, apresenta-se com febre, hipotensão, dor abdominal severa e disfunção cardíaca. Laboratorialmente caracteriza-se pela "tempestade de citocinas", incluindo elevação dos níveis de IL-6, leucopenia e níveis extremamente altos de péptido natriurético ventricular (as duas últimas não sendo características da DK). Geralmente requerem suporte inotrópico e, raramente, oxigenação por membrana extracorpórea. Tendem a recuperar completamente após alguns dias em cuidados intensivos, com raros casos de morte por complicações da oxigenação extracorpórea. A DK é mais frequente em crianças com menos de 5 anos de idade, com pico de incidência pelos 10 meses, sendo as maiores taxas verificadas em crianças de origem asiática. De etiologia ainda não identificada (existindo evidência a favor da hipótese de um vírus desconhecido), é uma doença que cursa com febre e com aneurismas das artérias coronárias (que, raramente, parecem ocorrer também na MIS-C). Mesmo admitindo a relação com o SARS-CoV-2, a patofisiologia da MIS-C é desconhecida. Foi proposta a hipótese de um fenómeno pós-infecioso relacionado com os anticorpos IgG (os casos de MIS-C são posteriores ao pico epidémico e as crianças mais frequentemente testam positivo para anticorpo que para ADN viral, apesar destes argumentos serem muito discutíveis). Outra hipótese está relacionada com o facto dos coronavírus serem capazes de bloquear as respostas dos interferões do tipo I e III, levando a uma tempestade de citocinas tardia naqueles incapazes de controlar a replicação viral ou com carga viral inicial elevada. A definição da MIS-C do CDC é muito abrangente, aplicando-se quer à MIS-C, quer à DK, assim como a outras infeções virais. Para estudos subsequentes, provavelmente será mais útil utilizar a definição inicialmente proposta de choque, dor abdominal severa e disfunção do miocárdio.

Abstract

When the COVID-19 pandemic was first reported in Asia and initially spread throughout the globe, paediatricians were grateful that children seemed to be only mildly symptomatic with the infection in most cases.Then, an alarming warning came from the National Health Service in England in April 2020 about cases of older school-aged children and adolescents presenting with fever, hypotension, severe abdominal pain and cardiac dysfunction who tested positive for SARS-CoV-2 infection either by nasopharyngeal RT-PCR assay or by antibody testing. These children had laboratory findings of cytokine storm, including high serum IL-6 levels, and generally required inotropic support to increase cardiac output with rare need for extracorporeal membrane oxygenation. Almost all of these children no longer required intensive care after only a few days and completely recovered, although rare deaths resulted from complications of extracorporeal membrane oxygenation. Case series of children presenting with this condition havenow been reported from the UK, Italy, Spain, Franceand Switzerland, and the United States. The Centers for Disease Control and Prevention (CDC) has developed a case definition for use in the United States and has termed the condition multisystem inflammatorys yndrome in children (MIS-C).